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Hoje assinala-se o Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla

Anabela Rosado partilha o dia-a-dia com a esclerose múltipla há dez anos

Anabela Rosado tem 39 anos, é mulher, mãe e amiga, entre muitas outras facetas. Tem formação como animadora sócio-cultural, embora esteja reformada. No retrato desta eborense falta acrescentar que é portadora de esclerose múltipla há dez anos.

Marina Pardal

04 Dezembro 2014 | Publicado : 11:28 (04/12/2014) | Actualizado: 15:13 (05/12/2014) | Fonte: Redação D.S.

Anabela Rosado tem 39 anos, é mulher, mãe e amiga, entre muitas outras facetas. Tem formação como animadora sócio-cultural, embora esteja reformada. No retrato desta eborense falta acrescentar que é portadora de esclerose múltipla há dez anos.

Hoje, em que se assinala o Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla, Anabela Rosado dá a conhecer a sua história e um pouco do seu dia-a-dia com a doença. No entanto, como a própria diz é a esclerose múltipla que sofre de Anabela Rosado.

Por ironia da vida foi numa terça-feira de Carnaval, há dez anos atrás, que sentiu os primeiros sintomas da doença: visão dupla na vista direita e a perda do paladar. “Foi de repente, antes nunca tinha sentido nada”, conta Anabela Rosado, lembrando que nesse momento associou os sintomas “ao cansaço, no caso da visão, e a perda do paladar pensei que tivesse queimado a língua”.

No entanto, esses sintomas não desapareceram. Foram necessários diversos exames e vários meses de espera para saber o diagnóstico. “O tempo em que se espera pelo resultado é muito angustiante”, confessa, alertando quem está nessa situação “para não procurar informação na internet, pois vão encontrar coisas péssimas e que nem sempre correspondem à realidade”.

Tentando descrever a esclerose múltipla, Anabela Rosado explica que, “por vezes, mexo o braço, mas não consigo agarrar o objecto, por exemplo, pois a mensagem que vem do cérebro não chega na sua totalidade porque o circuito está destruído”.

Faz a comparação com “um telefone com os fios descarnados, em que a pessoa diz ‘estou atrasada porque...’ e não conseguimos ouvir o resto da mensagem”.

Ao longo destes dez anos, já teve inúmeros surtos, alguns deles com consequências mais graves. Mas mesmo assim, Anabela Rosado não desiste da vida e lutar pelos seus sonhos.

“Para quem é portador ou esteja à espera do diagnóstico não pensem que a vida não acaba aqui, a vida começa agora, mas de uma outra forma”, confessa, sublinhado que “se antes se sofria e não se sabia porquê, agora que se tem o diagnóstico já há uma terapêutica que vai ajudar a estabilizar a doença”. Remata ainda que “agora é que se vai aprender a viver e mesmo com alguns limites é possível fazer tudo”.

Entre algumas das consequências da esclerose múltipla, Anabela Rosado descreve que “nós perdemos facilmente massa muscular e às vezes a fadiga crónica afecta-nos bastante”.

Realça ainda que “não posso fingir que não tenho esclerose múltipla, mas se nos entregarmos à doença por completo, não conseguimos ser felizes, nem aceitar nada de bom da vida”. Segundo Anabela Rosado, “esta doença alimenta-se das coisas ruins, como é o caso das depressões que também nos afectam bastante”.

Apesar de todas as condicionantes e dos momentos menos fáceis que vai vivendo, esta eborense não desistiu de voltar a ser mãe. Já tinha tido um filho antes da doença, mas queria ter outro, por isso Anabela Rosado consultou a equipa médica nesse sentido.

“Disseram que tinha 80 por cento de hipóteses de correr bem, contudo mesmo quem é saudável não tem a certeza absoluta de não haver problemas, por isso agarrei-me a esses 80 por cento”, lembra, sublinhando que “a minha filha nasceu e correu tudo bem”.

Embora frisando que “este é o meu caso e que não podemos extrapolá-los para os outros”, evidencia que mesmo com a doença, “pode-se engravidar, mas aconselha-se a que pessoa não tenha tido surtos pelo menos dois anos antes, pois corre o risco de ter um surto, após o parto, duas vezes pior”.

Anabela Rosado adianta ainda que “durante a gravidez praticamente não se tem a esclerose múltipla e essa poderá ser uma variável a ter em conta para estudar a doença”.

Na sua opinião, e de uma forma geral, “a mentalidade em relação à doença ainda é um pouco retrógrada, mas temos de lutar pelo que queremos”, recordando que “tive de me reformar compulsivamente”. A esse respeito, esclarece que “quando cheguei ao meu trabalho depois de ter o diagnóstico, as pessoas desviavam-se de mim e perguntavam-me se a doença se pegava”.

Nesse âmbito, esta portadora da esclerose múltipla reforça que “não se entreguem à doença, mas sim à vida, pois é ela que merece a pena”.

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