Diario do Sul
PORTUGAL 2020 SET

Região Alentejo, comparando 2014 e 2015

Mais seis mortos em acidentes de trabalho com Beja a aumentar de três para 12 vítimas

Os acidentes de trabalho mortais na região do Alentejo em 2015 superaram os valores do ano anterior, com um total de 16 vítimas, mais seis que as registadas em 2014.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

26 Fevereiro 2016

Uma consequência direta do abrupto aumento de sinistros graves no distrito de Beja, que lamentou 12 mortes no ano passado, mais nove do que os três acidentes fatais ocorridos em 2014.

Os dados são revelados pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) e mostram como nos distritos de Évora e Portalegre as coisas foram mais calmas. Aliás, Évora registou mesmo uma significativa descida da mortalidade laboral de cinco para dois casos, de acordo com a estatística agora revelada, enquanto Portalegre lamentou duas mortes, igualando o registo do ano anterior.

O Alentejo Central e o Norte Alentejano surgem mesmo entre as regiões do país com o menor número de mortos, apenas à frente da Castelo Branco (com uma vítima) depois de em 2014 Évora ter atingido cinco vítimas mortais.

Confirmam-se assim os números históricos em Évora e Portalegre, também face a 2013, quando Évora registou quatro vítimas, depois de três em 2012, enquanto em 2013 Portalegre chegou às três vítimas e às duas em 2012. Beja foi onde se registaram mais vítimas mortais, com seis de 2013 e as cinco de 2012.

Já quanto a acidentes graves, é em Évora que surgem os valores mais preocupantes, com 19 pessoas feridas nos seus postos de trabalho, tendo sido contabilizadas seis em Beja e duas em Portalegre. Comparando com 2014, Évora tem mais três feridos graves, Beja mais dois, enquanto Portalegre manteve o valor de há um ano (dois), segundo as estatísticas da ACT, que mostram ainda que a maioria dos acidentes ocorreu no mês de janeiro, enquanto a quarta-feira é o dia da semana com mais acidentes fatais.

O documento agora revelado sublinha também que a maioria das vítimas são homens com idades entre os 45 e os 54 anos e que construção a para da indústria transformadora são os setores com mais vítimas mortais registadas.”.

Recorde-se que é considerado pela ACT como acidente de trabalho “todo o acontecimento inesperado e imprevisto, incluindo os atos de violência, derivado do trabalho ou com ele relacionado, do qual resulta uma lesão corporal ou mental, de um ou vários trabalhadores”.

São também considerados nas estatísticas os acidentes de viagem, de transporte ou circulação, nos quais os trabalhadores ficam lesionados e que ocorrem por causa, ou no decurso, do trabalho, isto é, quando exercem uma atividade económica, ou estão a trabalhar, ou realizam tarefas para o empregador.

Recorde-se que o número de trabalhadores não declarados aumentou 34% nos últimos dois anos, segundo revelou também a ACT. Os falsos prestadores de serviços registaram uma subida de 200% sendo que 34% dos casos foram entretanto regularizados. A ACT justifica o aumento das situações de trabalho não declarado, bem como dos falsos estágios remunerados, falsa prestação de serviços ou falsas situações de voluntariado, com “a situação de crise”, salientando que estes fenómenos diminuem as receitas do Estado e representam “um grave fator de concorrência desleal para as empresas que cumprem as suas obrigações”.

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