Diario do Sul
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Alerta contra o Acidente Vascular Cerebral

Linha Verde AVC ainda é pouco contactada no Alentejo

São poucos os alentejanos que recorrem ao serviço Via Verde AVC (destinado aos doentes com acidente vascular cerebral), apesar de se tratar da principal causa de morte na região.

Roberto Dores

06 Maio 2016 | Fonte: Redacção D.S.

Os números oficiais a que o “Diário do Sul” teve acesso indicam que em 2015 foram 107 as pessoas que acederam ao serviço, enquanto nos primeiros três meses de 2016 a Via Verde AVC foi utilizada por 33 potenciais vítimas.

De acordo com o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), no ano passado Beja foi o distrito onde mais pessoas (49) foram encaminhadas através deste sistema de apoio, seguindo-se Évora com 30 e Portalegre com 28. Este ano Beja continua na frente (17), enquanto Évora soma nove e Portalegre sete casos.

A neurologista Elsa Azevedo é a vice-presidente da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral e admite que os números estão abaixo do que seria desejável nesta altura, revelando que apenas menos de metade dos doentes que entram nas unidades de AVC são admitidos através do sistema Via Verde. Um cenário que leva a dirigente a concluir que os pacientes não ligaram para o 112, optando por se deslocarem até aos hospitais por meios próprios.

Elsa Azevedo admite que o número de pessoas que recorrem à Via Verde até tem aumentado, mas acrescenta que “grande parte da população ainda não conhece os sinais de alerta de AVC e não liga para o 112”, explica, garantindo que o problema não se prende com uma eventual falta de resposta do 112 aos pedidos, mas antes da “informação que é urgente passar para a população”.

E aqui ficam três sinais de alerta a reter: “Se sentirmos que, de um momento para o outro, alguém fica com a boca ao lado, com dificuldade em falar ou que ao esticar os braços não tem força e eles caem, então devemos ligar logo para o 112 e não optar por ir para hospital”, recomenda Elsa Azevedo, justificando que o 112 está articulado com os hospitais mais habilitados a proceder aos respetivos tratamentos. “Um hospital mais pequeno não tem os mesmos equipamentos e as pessoas terão que ser reencaminhadas para outras unidades. É uma perda de tempo”, alerta.

Isto porque quanto mais cedo forem identificados os sinais de AVC mais eficaz vai o ser tratamento, numa altura em que a região soma cerca de 50 mil habitantes que, embora não tenham qualquer sintoma de poder vir a sofrer um Acidente Vascular Cerebral, fazem parte do chamado grupo de “risco elevado”, tal como os diabéticos ou os doentes com antecedentes, segundo dados da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.

Trata-se de doentes já com alguma idade, que fumam, que têm o colesterol um pouco elevado e alguma gordura a mais. Com a agravante de desconhecerem o risco que estão correr. Recorde-se que os 50 mil homens e mulheres que estão em risco na região não podem ser incluídos no rol de indivíduos relacionados com a falta de informação, simplesmente porque são pessoas que “não identificam qualquer sintoma”. Ou seja, são cidadãos que sentem de tal forma saudáveis que acreditam não haver qualquer necessidade de estarem atentos à sua saúde ou e irem ao médico.

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