Diario do Sul
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Ambientalistas querem ação para conservar lince no Alentejo

Autor :Redação - Roberto Dores

23 Agosto 2017

A associação ambientalista ZERO alerta que continua sem ser realizada qualquer atividade de sensibilização destinada a proteger o lince-ibérico nos campos do Alentejo, como previa o Plano de Ação para a Conservação desta espécie. O alerta é dado por Nuno Forner, da Associação Sistema Terrestre Sustentável (ZERO), após terem sido recentemente diagnosticados, segundo diz, “importantes atrasos” na concretização das metas previstas. 

O lince-ibérico já é considerado um dos casos mais bem-sucedidos em matéria de recuperação de uma espécie em Portugal, tendo-se registado o nascimento de 24 animais no Centro Nacional de Reprodução de Lince-Ibérico nos últimos dois anos, enquanto o Parque Natural do Vale do Guadiana, no Baixo Alentejo, tem sido um local privilegiado no acolhimento da espécie ao longo dos últimos quatro anos, ganhando protagonismo no processo de reintrodução deste felino na natureza. 

Recorde-se que desde dezembro de 2014, quando se iniciou a libertação de linces em Portugal, já foram entregues à natureza 27 exemplares em pleno parque. Dez na primeira época de reintrodução (2014 e 2015), nove na segunda (2016) e oito na terceira, que está a decorrer este ano. 

Ainda assim, já há lamentar três mortes, tendo um destes linces sido envenenado, enquanto um segundo morreu por doença e um terceiro acabou atropelado. A boa notícia diz que a reprodução em meio natural já esteve na origem de, pelo menos, 15 nascimentos. Cinco em 2016 e dez já em 2017. 

Mas, apesar destes resultados, a ZERO considera que é preciso ir mais longe em nome da conservação, numa altura em que apenas, denunciam os ambientalistas, “28% das metas e produtos previstos até ao final de 2016, e apenas um terço dos relacionados com objetivos de prioridade crítica, foram executados”.

A ZERO revela ter tido acesso aos dados de 2015 e 2016 do Plano de Ação para Conservação do Lince-ibérico, mostrando-se preocupada com o “fraco nível de implementação”, acrescentando mesmo que já receia que estejamos perante “uma situação de escassez de recursos financeiros alocados à conservação da espécie”.

Além dos obstáculos financeiros colocados ao funcionamento do programa - aprovado em 2015 -, a “execução de novas infra-estruturas com melhores condições para a reprodução da espécie em cativeiro”, cuja conclusão estava prevista para final de 2016, “ainda não passou da fase do projecto”.

Uma das primeiras medidas de proteção da espécie, que antecedeu o início do seu regresso ao ambiente, passou pela colocação de triângulos com a cabeça estilizada de um lince. Mesmo ainda antes do sinal de trânsito constar no Código da Estrada foi homologado, passando a ser encontrado nas bermas das vias alentejanas. A ideia foi introduzir um alerta para que os condutores saibam que por ali existem estes felinos e que a qualquer momento podem vir a atravessar a estrada. É que os automóveis são uma das grandes ameaças da espécie, já que muitos linces ibéricos têm morrido atropelados em Espanha.

O projecto da colocação das novas placas ambicionou sensibilizar os condutores para que reduzam a velocidade a tempo de travar caso sejam surpreendidos pela presença de um lince ibérico, considerado já como sendo o felino mais ameaçado do mundo, encontrando-se em risco de extinção.

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