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Diario do Sul
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EDP Distribuição apresentou medidas que aplica na proteção da avifauna

Especialistas em aves de rapina noturnas estiveram reunidos na Universidade de Évora

Autor :Redação - Marina Pardal

16 Outubro 2017

Durante cinco dias, mais de uma centena de especialistas em aves de rapina noturnas estiveram reunidos na Universidade de Évora (UÉ).

Tratou-se da 5ª edição da World Owl Conference, uma iniciativa que decorreu 26 e 30 de setembro.

Segundo a UÉ, o evento juntou na cidade alentejana “os líderes mundiais em todos os aspetos da ciência das aves de rapina noturnas, como a conservação, educação, genética, habitat e ecologia”.

Acrescentou ainda que “dez anos após a última conferência em Groningen, na Holanda, esta iniciativa tão importante para investigadores, naturalistas e ornitólogos dedicados ao estudo das aves de rapina noturnas está finalmente de volta”.

A EDP Distribuição foi uma das entidades que esteve presente neste fórum, com o intuito de mostrar as medidas que aplica na proteção da avifauna, nomeadamente ao nível da anti colisão e anti eletrocussão nas linhas. Apesar de não ter intervido no congresso, esta empresa apresentou um painel demonstrativo numa das salas anexas ao evento.

Em declarações ao Grupo Diário do Sul, Carlos Rochinha, da Direção de Ambiente, Sustentabilidade e Continuidade do Negócio da EDP Distribuição, adiantou que “há 15 anos que a EDP Distribuição desenvolve um projeto no âmbito da proteção da avifauna”, explicando que “resultou de estudos internacionais e também do envolvimento das organizações não-governamentais (ONG) que nos mostraram que, potencialmente, as nossas linhas elétricas estariam a causar mortalidade”.

Segundo o mesmo responsável, “ao longo dos tempos essa problemática tem sido colmatada com soluções técnicas”, considerando que “esta é uma das equações da resolução da problemática”.

Para Carlos Rochinha, “a outra parte da equação é de facto o conhecimento biológico das espécies e estas conferências, que têm um âmbito internacional, podem trazer-nos ideias ou alguma evolução em termos de conhecimentos mais atualizados das espécies e do habitat, que nos poderão servir no futuro para melhorar as nossas técnicas de conservação e os nossos equipamentos e daí chegarmos a uma maior eficácia, que é isso que pretendemos”.

Em termos de prevenção da eletrocussão nas linhas elétricas, esclareceu que “o que nós fazemos é isolar as partes sensíveis junto aos apoios, primeiro com a fita preta de isolamento e depois colocamos uma manga que dá reforço de isolamento”.

Já no que toca à colisão, Carlos Rochinha sublinhou que “as aves colidem porque não veem os fios, por isso temos de tornar a linha mais visível, utilizando fitas ou rotativos com placas luminofluorescentes que podem ser visíveis à noite, desde que as condições atmosféricas o permitam”.

Constatou ainda que “ao longo destes anos, têm havido diferentes equipamentos, até porque o mercado vai trazendo novas soluções técnicas e a EDP tem estado atenta a isso”, focando que “internamente também temos equipas de trabalho que produzem conhecimento e depois encontram algumas soluções”.

De acordo com o mesmo responsável, “temos equipamentos que são mais ou menos eficazes consoante o tipo de aves de que estamos a falar e o tipo de habitat em que essa ave se desenvolve”.

Destacou, por exemplo, que “no âmbito da colisão, temos eficácias que rondam os 80 por cento”.

Disse também que “em relação a uma das novas soluções para a eletrocussão, que ainda está em testes, prevemos que terá resultados que andam muito próximos dos 100 por cento de eficácia”.

Carlos Rochinha confirmou ainda que “este projeto é para continuar, pois é um compromisso que a empresa tem”, ao mesmo tempo que revelou que “a EDP Distribuição tem um Protocolo Avifauna com várias ONG, algo que a nível da Europa ninguém tem”.

Precisou que “nós temos linhas que são identificadas como potencialmente perigosas pelas ONG e depois nós vamos corrigi-las, de forma voluntária, pelo que este é um processo que não para, nem pode parar”

 A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) foi uma das entidades que apoiou e divulgou esta conferência. Segundo Julieta Costa, membro desta organização, “este assunto tem tudo a ver com o trabalho da SPEA”.

Realçou que “nós dedicamo-nos à conservação das aves selvagens no seu habitat e também à divulgação de todas as atividades que são sustentáveis, como a observação das aves ou o turismo ornitológico”.

Na sua perspetiva, “é muito importante reunir em Portugal um conjunto de especialistas mundiais que se dedicam ao estudo e à preservação das aves de rapina noturnas”.

Julieta Costa salientou também que “estamos ligados a um projeto com a EDP Distribuição, que é um protocolo que envolve também outras ONG, sobre a avaliação do impacto das linhas elétricas nas aves e as formas de minimizar esse mesmo impacto”.

Reforçou que “se desenvolve desde 2003 e tem vindo a proteger várias linhas elétricas que dantes eram pontos negros de mortalidade das aves, minimizando muito o seu impacto nas populações selvagens”.

“Esta conferência reuniu cerca de 130 pessoas, de mais de 20 países de todo o mundo, que vieram discutir e apresentar o seu trabalho com aves de rapina noturnas”, referiu Inês Roque, que fez parte da organização e é investigadora no Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas da UÉ.

Evidenciou que “estas aves têm uma grande importância nos nossos ecossistemas, estamos a falar a nível de conservação e de investigação em todas as áreas da ciência, como genética, taxonomia ou ecologia”, frisando que “a ideia é reunirmos os maiores especialistas a nível mundial que trabalham com estas espécies, até porque não há muita gente a trabalhar com estas espécies em todo o mundo”.

Inês Roque sustentou também que “nós pretendemos fazer um estado da arte sobre a ciência das aves noturnas em Portugal e no mundo”, exemplificando que “esperamos ter conclusões específicas sobre o que é que está feito e o que é preciso melhorar nos próximos anos”.

 

 

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