acerca otoño 2
Diario do Sul
Twitter rectangular

Entre janeiro e agosto de 2017

Alentejo viu nascer menos 57 bebés

Autor :Redação - Roberto Dores

16 Outubro 2017

A taxa de natalidade voltou a regredir no Alentejo. Entre 1 janeiro e 31 de agosto nasceram na região 1906 crianças, menos 57 do que em período homólogo de 2016. Os dados são revelados pelo Instituto Ricardo Jorge, à boleia dos bebés que foram sujeitos ao teste do pezinho nos distritos de Évora, Beja e Portalegre.

Esta descida, uma das mais representativas do país, traduz a interrupção da curva ascendente dos últimos dois anos, que lograram inverter um ciclo preocupante de constantes quebras da natalidade na região, que se agravou ao longo de cinco anos.

Por exemplo, em 2015 tinham nascido 1853 bebés no período em análise, ou seja, menos 110 do que em 2016 e menos 53 face a este ano.

Recorde-se que o Programa Nacional de Diagnóstico Precoce é recomendado mas não é obrigatório, enquanto, tal como revelam as estatísticas, a maior parte dos nascimentos até acontece entre os meses de julho e dezembro. É por isso estes números devem ser avaliados com cuidado e as contas finais só devem ser feitas no final do ano, segundo alertam os especialistas.

A demógrafa Maria João Valente Rosa, diretora da Pordata, alerta que “é muito prematuro para falar seja do que for. As tendências não se medem por um ou dois anos. Quando os nascimentos começaram a subir, alertei que, porventura, não seria uma alteração de tendência, mas teria antes a ver com os nascimentos adiados. Esse adiar por causa da crise poderá ter estado na origem da ligeira recuperação nos últimos dois anos”, sublinha a mesma dirigente.

Esta queda da natalidade agrava a tendência de declínio demográfico, numa altura em que mesmo que o distrito atingisse o índice de fecundidade de 2.1 filhos por mulher - que é o limite mínimo para renovação de gerações - também perderia população. Um fenómeno que surge associado aos resultados das últimas décadas, onde há gerações menores em dimensão que, mesmo que tenham mais filhos, traduzirão  sempre uma natalidade menor.

Por distritos, Évora continua a liderar a taxa de natalidade alentejana. Entre janeiro e agosto viu nascer 799 crianças, tendo sido o mês janeiro aquele que registou mais nascimentos (121) contrariando a tendência nacional. Beja registou 663 bebés, tendo março sido o mês líder em matéria de maternidade (96 crianças), enquanto Portalegre somou 444 nascimentos. No Norte Alentejano o mês mais “generoso” foi junho, com 68 bebés.

Em 2016 Évora chegou aos 852 nascimentos nos primeiros oito meses do ano, enquanto Beja viu nascer 781 bebés e Portalegre 410, o que traduz menos 34 nascimentos face a este ano, pelo que é o único distrito da região que foi contra a tendência de queda.

De acordo com a base de dados, organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, Portugal tem a taxa de fecundidade mais baixa da União Europeia — 36% contra 57,8% da Irlanda. As portuguesas são mães pela primeira vez aos 30,3 anos — em 1980 a média fixava-se nos 23,6. A taxa bruta de natalidade, que em 1960 era de 24,1%, em 2016 ficou em 8,4%.

Recorde-se que a picada que é realizada a partir do terceiro dia de vida do recém-nascido, através da recolha de umas gotículas de sangue no pé e que permite diagnosticar algumas doenças graves, é uma das formas de obter números sobre a natalidade em Portugal, dado que apresenta uma taxa de cobertura de quase 100% a nível nacional.

Dê-nos a sua opinião

Incorrecto
NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.