Diario do Sul
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Apresentação do projeto de ampliação do Regadio de Alqueva

Primeiro bloco de rega agrícola vai acontecer em Reguengos de Monsaraz

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redação

07 Fevereiro 2018

A ampliação do Alqueva arranca em 2018 para regar mais de 50 mil hectares no Alentejo e levar água para abastecimento público a mais cinco concelhos, num investimento total de 210 milhões de euros. Isto vai incluir um vasto conjunto de obras que o Governo quer ter concluído até 2022, visando criar 22 novos blocos de rega, espalhados um pouco por toda a região do Alentejo, sendo sete no distrito de Beja, cinco no de Évora e um no distrito de Setúbal. A apresentação do projeto decorreu na passada sexta-feira, em Reguengos de Monsaraz, onde se assinalou o lançamento do novo bloco de rega do concelho alentejano. A cerimónia foi presidida pelo ministro da Agricultura que se congratulou, uma vez mais, pelo facto de Alqueva “não ser o elefante branco” que muitos apontavam.
A ampliação do projeto do Alqueva enquadra-se no Plano Nacional de Regadios, que vai implicar um investimento global de 500 milhões de euros para requalificar regadios obsoletos ou construir novos regadios para beneficiar uma área total de 90 mil hectares.
Os blocos de rega agora anunciados são: Lucefécit – Capelins, Monsaraz, Reguengos, Évora, Viana, Póvoa-Moura, Marmelar, Vidigueira, Cuba – Odivelas, São Bento, Cabeça- - Gorda (Trindade), ligação ao sistema de Morgavel e Bloco de Rega das Ermidas e ligação à albufeira do Monte da Rocha & Bloco da Messejana.
Além disso, o Governo adianta que a ampliação prevê também um investimento muito importante numa ligação para levar a água do Alqueva aos concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Ourique e parte dos de Odemira e Mértola, no distrito de Beja.
Trata-se da ligação da albufeira do Roxo, situada no concelho de Aljustrel, e que está ligada ao Alqueva - e, se necessário, recebe água do projeto - à do Monte da Rocha, no concelho de Ourique e que é a fonte para abastecimento público daqueles cinco concelhos e para rega o aproveitamento hidroagrícola do Alto Sado.
No caso concreto do lançamento do primeiro bloco de rega que vai decorrer em Reguengos de Monsaraz, o presidente da Câmara Municipal considerou este dia como “histórico” para este concelho e para toda a região. José Calixto afirmou que este “é, simplesmente, o maior investimento que o Estado português fez no concelho de Reguengos, numa única operação de investimento”.
O novo bloco consagra-se num investimento global que fica próximo dos 40 milhões de euros e que visa abranger 11 mil hectares.
O autarca explicou que é um investimento altamente produtivo, que potencia os níveis de produtividade da principal atividade agrícola que existe neste território, que é a vitivinicultura, acrescentando ainda a importância da olivicultura. “O regadio cria novas oportunidades em terrenos que passam a ser irrigados para ter produções completamente diferentes daquelas que temos tido até aqui. A produtividade das vinhas será mais estável e maior, sendo mais fácil captar indústrias na área agroalimentar que possam ter outra centralidade no nosso concelho”, frisou.


Ministro considera regadio como pilar da agricultura alentejana


O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural afirmou que este novo bloco de Reguengos de Monsaraz “é uma grande revolução porque nunca em tão pouco espaço de tempo se fez um investimento tão volumoso e se executará tão importante obra”. Luis Capoulas Santos considerou que o regadio é a condição fundamental para que a agricultura alentejana continue a ser a agricultura que tem vindo a afirmar-se nos últimos anos. “Uma agricultura competitiva, com uma vocação de exportação grande, acima dos 11 e tal por cento”, sustentou, vincando que, no ano passado, o Governo conseguiu ainda baixar o preço da água.
O responsável da tutela afirmou que a água, a forma de a gerir e o seu uso eficiente são dos maiores desafios do próximo século. O governante disse constatar que a região Alentejo é “já hoje é um oásis de prosperidade. O regadio trata-se de um velho sonho porque hoje alguns dos produtores para conseguirem ter uma quantidade mínima de água nas suas vinhas, têm de a transportar em veículos cisterna e, o facto, de virem a ter água disponível a preços competitivos a curto prazo é uma boa notícia”.
Para Luís Capoulas Santos, este é um motivo acrescido para que se invista na agricultura e que seja mais uma razão de atração de população. “É preciso reequilibrar este país e a aposta na criação de postos de trabalho é a única forma de combater a desertificação do interior”, justificou.
O ministro da Agricultura lembrou que “todas as vozes críticas se silenciaram” e que “as dificuldades” causadas pela seca que o país atravessa “comprovam a importância e o acerto deste investimento”. E acrescentou: “As dificuldades de 2017 comprovam este investimento, já que o Alentejo foi o sítio que menos dificuldade teve em termos de disponibilização da água”.
No que concerne ao Programa Nacional de Regadios, “cerca de 50 por cento da área corresponde à ampliação do Alqueva e os outros 50 por cento serão repartidos em novos regadios desde o Algarve até Trás-os-Montes e na recuperação de muitos regadios, que têm 30 a 50 anos, que estão hoje a necessitar de obras de conservação e de investimento para o uso mais eficiente da água”, atestou.
Capoulas Santos garantiu que esta aposta vai permitir “criar condições para a fixação da população e para a criação de riqueza, possibilitando ainda aproveitar os melhores solos agrícolas que estejam perto de reservas de água”.
Uma esperança que é sentida por Gabriela Leitão, vitivinicultora em Reguengos de Monsaraz. “Tenho sete hectares de vinha e penso que o impacto ambiental deste novo bloco de rega é muito grande porque se não for com o auxílio da barragem de Alqueva, não sei como será o futuro”, contou. A agricultora disse que, este ano, teve um prejuízo de 40 mil euros por quebra na produção “e se isto continua, com esta calamidade, põe em dúvida toda a minha atividade. A vinda da água é uma esperança para todos os agricultores, senão não temos viabilidade económica”.

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