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Alentejo Central lança novo sistema

As vantagens ambientais com o combate ao desperdício de água no distrito de Évora

Os 14 municípios do Alentejo Central têm na calha o lançamento de um projeto ambicioso que visa combater as perdas de água através.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

11 Dezembro 2015

O método contempla a implementação de um sistema de monitorização e controlo desenvolvido totalmente na EPAL, a mesma entidade que abastece a região de Lisboa. A assinatura do protocolo de cooperação está agendada para o dia 15 de dezembro, traduzindo o maior desafio nacional para a tecnologia WONE – Water Optimization for Network Efficiency.

É a resposta que os municípios da CIMAC – Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central - pretendem dar à velha problemática das perdas de água, que chegam a ultrapassar um desperdício de 50% em alguns municípios, durante o percurso da rede pública até à torneira dos consumidores.

A aposta na gestão otimizada da rede de abastecimento de água garante vantagens ambientais. Desde logo, explica a EPAL, a implementação da ferramenta de monitorização e controlo vai permitir reduzir a fatura de água dos municípios, uma vez que, dadas as perdas na rede a nível nacional, “a água comprada pelas autarquias às entidades gestoras em alta (responsáveis pela captação e tratamento) acaba por ser em muito maior volume do que aquela que chega às torneiras dos consumidores”.

Recorde-se que a região, abastecida por dois grandes sistemas abastecedores em “alta” (Águas do Centro Alentejo e Águas Públicas do Território), vem enfrentando várias adversidades ao nível da distribuição de água, com um consumo por habitante superior à média do país. Uma questão “que parece indiciar uma falta de eficiência na utilização de um recurso escasso, cujos impactos se podem vir a revelar particularmente significativos numa região onde os efeitos resultantes das alterações climáticas globais farão acentuar fenómenos de seca”, de acordo com a caracterização territorial feita pela própria CIMAC.

A mesma Comunidade chama também a atenção para “um nível de perdas muito elevado na rede de distribuição em baixa, para além de práticas de consumo pouco eficientes”.

Ao abrigo do protocolo entre a EPAL e a CIMAC, a entidade gestora responsável pelo abastecimento da região de Lisboa compromete-se ainda a prestar a formação necessária para a normalização e otimização de procedimentos. Desenvolvido pela própria EPAL, o WONE é um software que permite a gestão inteligente da rede. Reunindo informação sobre consumos, georeferenciação, indicadores de desempenho e alertas prontos a soar em caso de fuga, a ferramenta tem tido o papel principal na melhoria do sistema de abastecimento de água em Lisboa. Os ganhos de eficiência ‘falam’ por si: a implementação da tecnologia, numa lógica de controlo activo de fugas, permitiu reduzir os níveis de água não facturada de 24%, em 2008, para 8%, em 2014, na rede de distribuição de Lisboa.

Isto numa em que uma média próxima dos 40% da água captada, tratada e distribuída pelos sistemas de abastecimento nos vários concelhos da região não é faturada, segundo os dados revelados pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), o que corresponde a uma situação “claramente insatisfatória”, segundo a avaliação da própria ERSAR, após ter realizado uma auditoria aos serviços de abastecimento de água.

A entidade reguladora adianta que a água não faturada inclui perdas reais através de fissuras, roturas e extravasamentos de água e ainda perdas aparentes devido a imprecisões nas medições, furto ou uso ilícito de água. Há ainda perdas correspondentes a consumos autorizados mas não faturados, que correspondem a água para lavagem de ruas, rega de espaços verdes municipais, alimentação de fonte e fontanários, lavagem de condutas e coletores de esgotos e combate a incêndios.

A entidade reguladora concluiu que além das perdas reais e as restantes perdas aparentes, há ainda os consumos autorizados mas não faturados, sendo que a região segue a tendência dos casos mais gravosos nas áreas rurais. Porém, a região fica, ainda assim, uns furos abaixo da região Norte, onde há muitos municípios que não faturam mais de 70% da água.

Segundo o presidente da ERSAR, Jaime Melo Baptista, “as perdas comerciais deviam ser tratadas rapidamente, porque são fáceis de resolver”. As receitas seriam usadas para combater as perdas reais, nas roturas, que exigem investimentos preventivos na rede. “Tudo isso é mais caro e mais difícil”, explica o presidente da ERSAR.

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