Diario do Sul
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Programa da RTA “Saúde Mental sem Tabus”

Influência da aprendizagem na saúde mental

A décima edição do programa “Saúde Mental sem Tabus”, emitido pela Rádio Telefonia do Alentejo, focou a questão da educação, da saúde e da idade, bem como a relação entre estes elementos.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redacção D.S.

11 Janeiro 2016

Feito em parceria com a MetAlentejo, - associação para o bem-estar psicossocial da comunidade, este programa contou com a presença da psiquiatra Teresa Reis, presidente da Direção desta instituição, e de José Bravo Nico, professor e investigador da Universidade de Évora, além de presidente da associação Suão, de S. Miguel de Machede.

A influência da aprendizagem, nomeadamente aquela que é feita ao longo da vida, no processo de desenvolvimento das pessoas foi um dos temas abordados nesta sessão.

Teresa Reis começou então por contextualizar que “o objetivo foi falar sobre o que é a aprendizagem e a educação e a importância de ambas como um contributo para a promoção e manutenção da saúde mental”.

Mas para compreender essa importância é necessário saber no que consiste a aprendizagem.

Segundo Bravo Nico, “a aprendizagem é uma atividade muito natural na nossa vida, como respirar, por exemplo”, lembrando que “mesmo que não queiramos estamos constantemente a aprender”.

Acrescentou ainda que “não se aprende apenas nos contextos mais institucionais, aprendemos em qualquer ambiente”.

Para o mesmo investigador, “a aprendizagem é aquilo que nos permite mudar e desenvolver a nível cognitivo, afetivo e também com repercussões na parte fisiológica”, considerando que “a aprendizagem tem muito a ver com a capacidade de construir projetos para o nosso futuro e de lutar pela sua concretização”.

Por sua vez, a psiquiatra Teresa Reis sublinhou que “apesar da aprendizagem ser inata no ser humano, são muito importantes os estímulos que as pessoas vão tendo ao longo das suas vidas, para que essa aprendizagem ocorra de uma forma mais saudável”.

Disse ainda que “a saúde mental está muito dependente desta aprendizagem ser feita de uma maneira correta”, exemplificando que “uma criança que seja estimulada de uma boa maneira vai com certeza ter uma saúde mental mais equilibrada”.

A presidente da MetAlentejo evidenciou também “a aprendizagem social como necessidade de adaptação às dificuldades e aquisição de resiliência e tolerância à frustração”.

A esse respeito, frisou que “a capacidade de adaptação às situações vem, muitas vezes, da aprendizagem”, realçando que “para nos conseguimos adaptar a novas situações, numa primeira exposição é preciso que haja algum conforto e acompanhamento para que essa experiência se torne positiva”.

Teresa Reis recordou que “em crianças que não estão integradas em famílias com o equilíbrio que permita essa aprendizagem, muitas vezes começam a existir desde cedo sintomas relacionados com a não aprendizagem ou má aprendizagem dessas situações, que poderão no futuro tornar-se em problemas de saúde mental”

Especificou ainda que “as crianças, como os adultos, muitas vezes reagem perante as situações consoante aquilo que aprenderam e aquilo que viram nos seus modelos”.

Os benefícios da idade

para a aprendizagem

Os benefícios da idade foram focados pelo professor Bravo Nico durante este programa. De acordo com o investigador, “esses benefícios são aquilo que as pessoas que têm idades mais avançadas foram construindo através da sua aprendizagem ao longo da vida”, especificando que são “conhecimentos, capacidades e competências que não são possíveis de construir por pessoas que são mais jovens”.
Na sua perspetiva, “temos de encarar esta questão do envelhecimento como uma grande oportunidade para aqueles que vão fazendo esse percurso”, constatando que “têm mais experiência de vida e mais paciência para enfrentar o quotidiano da vida”.
O presidente da Suão considerou ainda que “o conhecimento produzido nesse momento da vida é também muito importante para os mais novos, pois se tiverem oportunidade de contactarem com estas pessoas, os jovens vão ter à sua mercê um conhecimento de um valor imenso, que não está na internet, nem em livros”.
Por outro lado, apontou que “os mais velhos vão sentir-se úteis e produtivos, fazendo parte da construção da sua família e da sua comunidade”.
Opinião semelhante foi evidenciada por Teresa Reis, defendendo que “é importante ter uma atitude positiva em relação à idade”.
Focou que “estamos numa época excelente, nunca se viveu tantos anos e temos de aprender a envelhecer melhor”, frisando que “a aprendizagem ao longo da vida poderá contribuir para isso, seja ao nível dos hábitos alimentares, seja no que diz respeito à importância dos estímulos e manutenção da aprendizagem para que se mantenham as capacidades cognitivas”.
Teresa Reis recordou que “tudo envelhece, a pele, os ossos, o cérebro, mas tal como as pernas envelhecem menos se as pessoas continuarem a fazer caminhadas, o cérebro também envelhece melhor se mantivermos estímulos para os neurónios que ainda lá estão e para os novos que apareçam, mesmo que sejam poucos”.
Para obter mais informações sobre a associação ou para o envio de sugestões de temas para este programa de rádio está disponível o e-mail: geral@metalentejo.pt; a página no Facebook e o site: www.metalentejo.pt

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