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Ensino

Novos programas de Matemática e Português vão ser suspensos? Para já não

Professores, pais e alunos dão sinais de descontentamento. Continuam a avolumar-se as correntes de opinião contra a forma de avaliação dos estudantes e como os programas são ensinados do básico ao secundário, havendo, sobretudo, queixas que apontam os programas de Matemática e Português como sendo demasiado extensos.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

14 Janeiro 2016

Porém, o novo Ministério da Educação garante que, pelo menos para já, não vai haver alterações. Talvez depois de se proceder a uma avaliação científica e pedagógica do atual modelo.

De resto, as próprias associações de professores concordam com a tutela, admitindo que seria um erro suspender de imediato as metas curriculares que foram introduzidas pelo ex-ministro Nuno Crato. Uma medida que poderia afetar negativamente os alunos e as próprias famílias.

Carlos Eduardo Marques, docente de Português, com mais de 20 anos de experiência no ensino, corrobora da avaliação apresentada pela Associação de Professores de Português (APP), que recorda como os pareceres dados antes da homologação dos novos programas já alertavam para o facto de as metas serem “redutoras” com a agravante de “implicarem muitas transformações”.

“Mas daí a suspender no imediato não se afigura uma boa solução, porque é preciso ter calma e fazer as coisas com tempo. Basta perceber, por exemplo, que os pais já pagaram os manuais”, sublinha, enquanto é sabido que APP estará em contactos com o gabinete do novo ministro Tiago Brandão Rodrigues onde este tema já terá sido abordado.

Por seu lado, a Associação de Professores de Matemática (APM) afina pelo mesmo diapasão. A presidente Lurdes Figueiral ousa mesmo fazer um retrato muito crítico da situação atual e do seu impacto no ensino.

Aliás, logo em 2013, a associação garantia que o programa proposto pelo Ministério da Educação iria afastar ainda mais os alunos da disciplina e que estaria a contrariar as orientações curriculares para o ensino da Matemática reconhecidas internacionalmente. No seu parecer a direção da APM propunha antes que se procedesse à avaliação do programa de Matemática A, em vigor na altura, “bem como do “primeiro ano de implementação nos 1.º, 3.º, 5.º e 7.º anos do ensino básico do programa de Matemática homologado em 2013”. Aconselhou ainda que só com base nos resultados de tais estudos se fizessem “os ajustes e as alterações que se entenderem adequadas aos programas atrás referidos”.

Os argumentos do
Ministério da Educação
O Governo justificaria ainda as alterações implementadas nos programas das escolas do país com a preocupação de atualizar o currículo do ensino secundário - agora incluído na escolaridade obrigatória -, e tendo em conta alterações introduzidas no ensino básico. Foram elaborados novos Programas de Português e de Matemática A, do 10.º, 11.º e 12.º anos, e de Física e Química A, do 10.º e 11.º anos, “contribuindo para a coerência de todo o percurso escolar dos alunos”, explicou então a tutela.
Recorde-se que os novos programas e metas curriculares de Português e Matemática para o ensino secundário, que continuam a recolher críticas dos professores foram hoje homologados a 21 de janeiro de 2014, com a publicação em Diário da República. “Com a conclusão destes documentos, foi dado mais um passo na Revisão da Estrutura Curricular, tendo-se agora em vista atualizar o Currículo do Ensino Secundário, recentemente incluído na escolaridade obrigatória. Trata-se de uma atualização que, na sequência da já concretizada no Ensino Básico, imprime coerência ao percurso escolar dos alunos”, defendeu o ex-ministro Nuno Crato, acrescentando também que durante o período de consulta pública dos programas e metas, foram recolhidos mais de 200 contributos de escolas, universidades, professores, cidadãos, sociedades científicas e associações profissionais.
O Governo considerou que o programa de Português se situa “na continuidade do ensino básico, introduzindo os mesmos domínios constitutivos da disciplina: oralidade, leitura, escrita, educação literária e gramática” e que dá uma grande importância à análise, compreensão e interpretação de texto e ao desenvolvimento da capacidade de comunicação e argumentação.
Com o programa e metas curriculares de Matemática, o Ministério procurou definir “um padrão coerente que pretende contribuir para o rigor do que é ensinado nas escolas, garantindo simultaneamente aos professores autonomia pedagógica e liberdade de usar conhecimentos e experiência acumulada para auxiliar os alunos a atingir o seu melhor desempenho”. O programa de Matemática é acompanhado de cadernos de apoio com sugestões de exercícios.

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