Diario do Sul
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80% do petróleo usado na União Europeia vem de empresas não-europeias, com predominância da Rússia

Quercus alerta para custos e insegurança causados pela excessiva dependência energética externa da UE

Autor :quercus

Fonte: press release

12 Julho 2016

Quatro quintos do petróleo consumido na União Europeia (UE) provém de empresas não europeias, com uma clara predominância de fornecedores russos, que garantem um terço (36%) do petróleo bruto importado. É o que revela um novo estudo [1] sobre a dependência do petróleo na UE, elaborado pela Cambridge Econometrics para a Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), da qual a Quercus faz parte.

Apenas 2 dos 10 principais fornecedores de petróleo são europeus, sendo a maior parte do petróleo importado fornecido por empresas de países com uma situação política e social instável, como são os casos da Rússia e da Líbia.

Para a Quercus, a excessiva dependência energética do petróleo externo está a dar lucro às grandes companhias petrolíferas destes países, aumentando a insegurança energética na UE. A Rosneft e a Lukoil, duas empresas russas, representam a maior quota de importações de crude de petróleo para a UE.
Petróleo e gasóleo externos custam 300€/ano por cidadão europeu

Segundo uma estimativa do T&E, os custos associados à importação de petróleo e gasóleo podem ascender a 300 Euros por ano, e por cada cidadão europeu, dinheiro este que está a fluir para fora da economia europeia.

A dependência de importações de petróleo bruto (crude) tem aumentado drasticamente na Europa nos últimos 15 anos. Da mesma forma, a dependência das importações de gasóleo duplicou, entre 2001 e 2014, para 35 mil milhões de euros.

Registando uma tendência contrária, a produção doméstica da UE e as importações de crude a partir de países com um nível de instabilidade geopolítica muito baixo, como a Noruega, têm diminuído, o que agrava a insegurança energética europeia.
Transportes são setor mais dependente do petróleo externo

Os transportes são o setor mais dependente do petróleo importado na UE, representando dois terços da procura de produtos petrolíferos finais na Europa. Para a Quercus, a implementação de medidas de descarbonização dos transportes poderia trazer claros benefícios ao nível da segurança económica, ambiental e energética, uma vez que a queima de combustíveis fósseis está diretamente associada às emissões de dióxido de carbono (CO2), o mais importante gás com efeito de estufa (GEE).
De acordo com um anterior estudo da Cambridge Econometrics, apostar na transição para os veículos elétricos poderia traduzir-se num aumento do Produto Interno Bruto (PIB) da UE em 1%, na criação de 2 milhões de potenciais novos empregos e na redução das emissões dos veículos ligeiros e comerciais em 83% até 2050.

Conhecida este mês a Estratégia Europeia de Mobilidade de Baixo Carbono

Está agendada para o próximo dia 20 de Julho a publicação de uma Estratégia Europeia de Mobilidade de Baixo Carbono, por parte da Comissão Europeia. Nesta altura deverá também ser conhecido o acordo estabelecido com os Estados-membros relativamente às quotas nacionais para reduzir as emissões dos setores que não integram o Regime do Comércio de Licenças de Emissão da UE (RCLE-UE) - transportes, habitação e agricultura - no âmbito da designada “decisão relativa à partilha de esforços”.

Neste contexto, a Quercus, a par de outras associações de defesa do ambiente, apela à Comissão Europeia para que:

proponha novos e ambiciosos limites de emissão de CO2 para os veículos ligeiros de passageiros, comerciais e pesados, para 2025;
desenvolva uma estratégia abrangente para impulsionar os veículos elétricos no setor dos transportes;
tome medidas para reduzir as emissões da aviação e do transporte marítimo internacional;
acabe com os apoios públicos à produção de biocombustíveis não sustentáveis.

A proteção do ambiente e da segurança energética são dois lados da mesma moeda.

Estabelecer um plano ambicioso com vista à descarbonização dos transportes reduzirá a procura de petróleo e garantirá que o dinheiro dos contribuintes europeus fica salvaguardado, com o fomento da inovação, da criação de emprego e da segurança energética.

Esta é uma situação “win-win” para a Europa e também para Portugal.

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